Educação Ambiental

Philipe Villeneuve Oliveira Rego

Uma pequena parcela do planeta terra é habitável por seres humanos, dado que aproximadamente 70% do todo é constituído por água. Do que é habitado, boa parte tem se caracterizado cada vez mais por centros urbanos tombados pela tecnologia industrial ascendente, revelando uma dinâmica desregrada do consumo que favorece o avanço do comércio.

Cada vez mais o meio ambiente tem sido reflexo não de seu curso natural, incluindo seu desenvolvimento e seus processos de evolução, mas da ambição humana que visa subordinar cada vez mais a natureza aos seus interesses pessoais e comerciais. Diante da perspicácia do ser humano e dos valores sociais de cada vez mais se moldar a propostas tecnológicas e imediatas, ou do consumo baseado na lógico capitalista.

Uma outra realidade que acompanha o consumo industrial é o acúmulo do lixo, consequência do uso desenfreado de produtos descartáveis que implicam a necessidade de mais espaços que possam comportar o lixo consequente do que é consumido. Espaços estes que ora são destinados à produção, ora para o acúmulo dos resíduos sólidos, dando uma profunda preocupação ecológica pelos riscos que podem causar. Ainda assim, não se pode iludir unicamente na questão do lixo, mas é necessária a compreensão de que a degradação e desgaste dos recursos naturais ocorre cotidianamente e de forma muito sutil. A água, por exemplo, é utilizada e desgastada na produção de todo o material industrializado que é consumido e corre o risco de ser poluída, posteriormente, pela negligência da população e indústrias nos lugares onde depositam seus dejetos.

O lixo produzido nos centros urbanos é entregue a aterros sanitários, terrenos baldios e outros locais inadequados e, mesmo que distantes das cidades, oferecem perigo evidente e constante ao meio ambiente e aos recursos que dele são provenientes. Os resíduos descartados, misturados, podem provocar a emissão de gazes nocivos à natureza e ao ser humano, poluição dos rios e lençóis freáticos, sem contar que muitos dos materiais demoram anos para se decompor e continuam a ocupar um espaço já excedido na sua capacidade.

Diante dos problemas gerados, no ambiente, pelo tratamento pouco adequado do lixo, as realidades urbanas revestem-se de uma corrente industrialização que se apropria do meio ambiente apenas como objeto. A relação ser humano e natureza antes simbolizada de forma próxima e amigável, ganha um novo significado sob os moldes comerciais, onde os recursos naturais não passam de propriedade humana e devem ser gastos a todo custo para o progresso da humanidade.

A devastação das vegetações próprias de cada bioma, a extinção de espécies próprias de cada localidade, a forçosa desertificação e esterilização de terras, a poluição dos rios e águas bem como o gasto excessivo e irracional do recurso hídrico tão raro e caro para a humanidade são atitudes inconsequentes do próprio gênero humano, que depois da Revolução Científica, segundo o filósofo inglês Francis Bacon (1561-1626), coloca a meta da ciência em dominar a natureza. Francis Bacon propõe um método indutivo para a ciência, no qual o fim não seria contemplar a natureza, mas modificá-la e torná-la útil ao ser humano, evidenciando a relação de dominação que norteia os valores morais do sistema capitalista.

A questão ambiental, que só ganha devida discussão no fim do século passado, está longe de alcançar suas metas e propósitos uma vez que a população, principal protagonista na mudança da realidade, tem se portado de forma indiferente à natureza e se mostrado acomodada, outras vezes, ainda, sob um olhar conservador liberal. Neste sentido, a preservação da natureza, o desenvolvimento sustentável e a educação ambiental são fundamentais para a sobrevivência do planeta para as futuras gerações.